Na madrugada fria de Vila Magnólia, quando a cidade respira por aparelhos e só os notívagos ainda circulam, Augusto espera o último ônibus depois de mais um turno atrás do balcão. A pane mecânica do coletivo parece apenas mais um detalhe banal da vida noturna: espera, cansaço, resignação.
Mas o trevo isolado onde os passageiros são obrigados a descer revela-se um território suspenso, onde a normalidade começa a rachar. O que surge da escuridão não obedece às leis do acaso, nem da lógica humana.
Conto vencedor do Prêmio Travassos de Literatura de 2022
